JOVENS ESTILISTAS CARIOCAS FAZEM 7 DOS 12 CASAIS DE MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA DO GRUPO ESPECIAL DO RIO


Salve, salve!casais

Cariocas de Vila Isabel, terra de Noel Rosa e Martinho da Vila, Leonardo Leonel, 30 anos, e Leandro dos Santos, 31, são verdadeiros bambas da “alta costura” do Carnaval. Sócios do Ateliê Aquarela Carioca, Leo e Pedrão – apelido de infância de Leandro – tornaram-se, ao longo de onze anos, os principais estilistas de fantasias de mestre-sala e porta-bandeira, além de fantasias de luxo para rainhas de bateria e musas das escolas de samba. Para o Carnaval de 2015, a dupla é responsável pela confecção das roupas de 7 dos 12 primeiros casais do Grupo Especial (Mangueira, Unidos da Tijuca, Vila Isabel, Salgueiro, União da Ilha, Viradouro e Imperatriz). Na Série A, eles atendem outras seis escolas. Entre as rainhas de bateria que desfilarão com a grife da dupla estão Raíssa, da Beija-Flor, Gracyanne Barbosa, da X-9 Paulistana, e Milena Nogueira, da Caprichosos de Pilares.

A história de sucesso da jovem dupla começa no ano de 1999, quando Leo e Pedrão foram alunos do projeto social da Escola de Samba Mirim Herdeiros da Vila, então realizado no pátio da Escola Municipal Equador, no Boulevard 28 de Setembro, em Vila Isabel. Eles tiveram contato pela primeira vez com o universo do Carnaval, em oficinas de chapelaria, adereços e modelagem, entre outros ofícios. O que Leo e Pedrão não sabiam é que aquela vivência iria moldar suas trajetórias pessoais e profissionais.

Depois de breve passagem pelo barracão da Vila Isabel, eles criaram, em 2003, o Ateliê Aquarela Carioca (*veja cronologia completa dos estilistas). Hoje com 12 colaboradores, o ateliê gera emprego para artesãos da comunidade do Morro dos Macacos. Um dos mais experientes destes trabalhadores é Lúcio Flávio Alves,35 anos, que foi professor de Leo e Pedrão – ele ensinava solda e modelagem em arame – à época do projeto da Herdeiros da Vila.

Sofisticação, acabamento impecável, mobilidade e conforto são marcas registradas de suas criações.  “Procuramos ouvir muito os casais, porque não basta reproduzir um figurino, ele tem que proporcionar leveza à dança e fazer a dupla se sentir bem; às vezes um pequeno detalhe pode gerar um grande incômodo. Já precisei dizer: ‘olha, desse jeito eles não vão sair do lugar’. Não adiante a roupa ser linda e prejudicar os movimentos”, conta Leo, que no dia-a-dia se dedica às negociações com as escolas e à administração do ateliê.

A Pedrão cabe o comando diário da equipe de 12 colaboradores. Na hora de pesquisar materiais, modelar, fazer provas e montar a roupa na Sapucaí, os dois atuam sempre em conjunto.  O maior sonho deles também é compartilhado: “estamos criando uma ONG com cursos de Carnaval para formar novos artesãos, como o que nos formou na Herdeiros da Vila”, revela Leo.

A volta da porta-bandeira Rute, 11 anos depois – Para Rute Alves, primeira porta-bandeira da Unidos da Tijuca, o carnaval 2015 representa um momento especial. Depois de onze anos, ela volta a ter a fantasia confeccionada pela dupla do Ateliê Aquarela Carioca. “Eu tenho muito orgulho de ter vestido a primeira roupa que eles fizeram, em 2004, quando eu estava na Vila. Pude dançar bem e dar nota 10 para a escola, que voltou ao Especial naquele ano. Hoje me emociono ao ver o crescimento deles, que vi garotos e agora são esses homens e profissionais respeitados”, diz a porta-bandeira.

“Eles pensam sempre no nosso lado, alinhando com o carnavalesco o figurino, para aumentar nosso desempenho”, conta Marcella Alves, porta-bandeira do Salgueiro que desfilará pelo sexta carnaval seguido com a fantasia elaborada por Léo e Pedrão. “Faço roupa no Ateliê Aquarela Carioca desde 2010, meu primeiro ano na Mangueira. Eu levo eles para qualquer lugar, até pro Japão se for preciso, pois a confiança e dedicação deles não tem igual”, exalta Raphael Rodrigues, mestre-sala da Estação Primeira de Mangueira. “O grande diferencial do Aquarela Carioca é a disponibilidade dos responsáveis em ajudar o carnavalesco na viabilização das fantasias imaginadas e criadas. na verdade, eles se tornam parceiros dos carnavalescos. E isso é uma ajuda imensa!”, declara Cid Carvalho, carnavalesco da Verde e Rosa.

Os diferenciais – Não é á toa que Léo e Pedrão têm conquistado a preferência de casais de mestre-sala e porta-bandeira, rainhas, musas e carnavalescos.  Todo seu processo de trabalho transmite tranquilidade aos sambistas, por meio de diferenciais que fazem a diferença. O ateliê possui uma área exclusiva para dança dos casais: um salão espelhado onde são feitas as provas de roupas, o que permite maior precisão nos ajustes e que os ensaios e testes com as roupas sejam feitos sem necessidade de deslocamentos.

O principal diferencial, no entanto, é mostrado no dia do desfile. Os estilistas vestem casais e rainhas na concentração e disponibilizam uma equipe, com costureiro e aderecista, que, credenciados e com camisa de apoio das agremiações, desfilam o tempo todo ao lado dos sambistas. “Se algum imprevisto acontecer ao longo da Sapucaí, nossa equipe soluciona para que, na hora da apresentação diante dos jurados, tudo esteja perfeito”, conta Léo.

A história do Ateliê, ano a ano

  • 1999 – Leo e Pedrão participam das oficinas de Carnaval promovidas pela Escola de Samba Mirim Herdeiros da Vila, então presidida por Dinorah das Gatas. Ali a dupla se conhece e tem o primeiro contato com as artes e ofícios da grande festa de Momo.
  • 2003 – Após trabalharem por dois carnavais no barracão da Vila Isabel, primeiro montando adereços para alegorias, depois coordenando a equipe do abre-alas, decidem concretizar um antigo sonho de Leo: montar o próprio ateliê. O compositor Leonel, pai de Leo, aposta no sonho e torna-se sócio do empreendimento.
  • 2004 – Primeiro Carnaval de Leo e Pedrão à frente do Aquarela Carioca, inaugurado na rua Petrocochino. Confeccionam 1.200 fantasias para alas e composições de carros. Fazem as primeiras roupas de mestre-sala e porta-bandeira de suas carreiras, para a Vila Isabel e o Paraíso do Tuiuti. E a primeira fantasia para uma rainha de bateria, a atriz Adriana Bombom.
  • 2006/2007 – O ateliê muda-se para instalações maiores, na rua Agostinho Menezes, na Tijuca. Os estilistas param de trabalhar com fantasias de alas.
  • 2009 – Leo e Pedrão fazem uma fantasia dourada para Diego Falcão e Alessandra Bessa, da Porto da Pedra, que gera grande impacto, dando visibilidade aos estilistas. Foi a primeira vez que passou pela Sapucaí uma fantasia com penas de faisão pintadas de dourado.  No ano seguinte,  Mangueira, Imperatriz e Mocidade Independente tornam-se clientes.
  • 2011 – Raíssa, rainha de bateria da Beija-Flor, e Luíza Brunet  tornam-se clientes. Leo e Pedrão decidem se especializar nas roupas de mestre-sala e porta-bandeira, rainhas de bateria, musas e destaques.
  • 2013 – Após o Carnaval, a Ateliê Aquarela Carioca completa dez anos.  Leo e Pedrão inauguram um novo espaço, de 900 m² e infraestrutura diferenciada, na rua Silva Pinto, retornando ao bairro de Vila Isabel.
  • 2014 – As rainhas Raíssa (Beija-Flor), Laynara Teles (Império da Tijuca), Pamela Santos (Tuiuti), Milena Nogueira (Águia de Ouro) e Gracyanne Barbosa (X9) ; e as musas do Salgueiro (Claudinha Silva, Milena e Mônica Nascimento) contratam o ateliê.  Leo e Pedrão fazem os casais de: Acadêmicos do Cubango, Em Cima da Hora, Estácio de Sá, Paraíso do Tuiuti, Porto da Pedra, Renascer de Jacarepaguá, Unidos de Padre Miguel, Viradouro, Acadêmicos do Salgueiro, Estação Primeira de Mangueira, Império da Tijuca, União da Ilha do Governador e São Clemente.

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