MARQUÊS NOS BARRACÕES: “PEGANDO NO AMERÊ”, BEIJA-FLOR LEVARÁ A LENDA DE IRACEMA PARA A SAPUCAÍ


Salve, salve!beija-flor

O MARQUÊS DA FOLIA visitou o barracão da Beija-Flor de Nilópolis, que fica localizado na Cidade do Samba, onde fomos recebidos pelo carnavalesco Fran Sérgio Oliveira, um dos integrantes da Comissão de Carnaval da escola que em 2017 conta na avenida a saga da índia Iracema, personagem do romance de mesmo nome, escrito por José de Alencar. A ideia surgiu a partir de um musical sobre a índia dos Lábios de Mel, que vai acontecer no Ceará.

“Um amigo da escola, que é lá do Ceará, tá montando um musical sobre Iracema e mostrou pra gente o material de divulgação do espetáculo. Daí a gente viu que era uma história belíssima e a gente começou a brigar por esse enredo. A comunidade começou a gostar da ideia e torcer para que desse certo e a coisa toda vingou. A ideia surgiu do musical, mas a base da pesquisa é realmente no livro de José de Alencar. É a visão da Beija-Flor sobre a história de Iracema.” – conta o artista.

Para contar o belo romance brasileiro na avenida, a Beija-Flor mergulhou nesta história e não deixou de fora nenhum detalhe. O desfile começa na criação da humanidade, segundo a tradição indígena, e o desfecho é uma grande homenagem ao estado do Ceará, que, segundo o livro, surge a partir de Iracema.

“Em Iracema, José de Alencar conta a nossa história, a história da colonização brasileira através de um romance. É a forma como o colonizador chega, é o índio que resiste, o índio que morre, a miscigenação que acontece e o surgimento do Ceará, que não deixa de ser o surgimento do nosso país também. Então a gente começa com um tripé da Iracema representano a beleza e a luta da mulher. Depois falamos da parte religiosa, onde o Deus Tupã que cria todos os índios. Aparecem aí os rituais indígenas, dos quais Iracema era a responsável e por isso era intocável, a Virgem dos Lábios de Mel. Em seguida a gente conta a parte dela na floreste, porque era uma índia que vivia se banhando. Aí aparece Martin, o português, aliado de uma tribo rival, que se perde na mata e Iracema flecha ele de raspão. Ali eles se conhecem e acabam se apaixonando um pelo outro e ela leva o português para a sua tribo. Isso causa uma grande revolta, porque até então Iracema era intocável e ela surge com um homem, branco ainda por cima, e daí começa a saga. Ela prepara uma bebida, alucina todo mundo e foge, indo viver com Martin na tribo inimiga. Nesse ponto, Irapuan, o guerreiro principal da tribo de Iracema, se revolta e reúne seu povo para um combate contra o grupo rival. É uma batalha muito sangrenta e eles se destroem. Iracema fica sozinha durante essa luta, grávida, daí tem o filho e enfraquece muito. Martin volta da batalha e Iracema morre, se transformando no solo do estado do Ceará. Que é o fim do nosso desfile, uma bela homenagem ao estado do Ceará, com seu belo artesanato e sua linda cultura.” – falou Fran Sérgio.

Para o artista, o que mais lhe chamou atenção nesta história belíssima foi o amor. Segundo ele, essa é a mensagem mais forte do romance de Alencar.

“O que mais me chamou a atenção nessa história foi o amor. O mundo precisa disso, nós precisamos disso. E Iracema luta fervorosamente pelo seu amor, ao ponto de abandonar sua vida para seguir o seu amado. Isso resulta num filho, Moacir, o primeiro brasileiro miscigenado, o “Milagre da Vida”. Então é isso que eu acho que mexe com todo mundo que conhece essa hsitória. Esse amor entra na veia da gente.” – disse o carnavalesco.

Em um ano de crise, falar de um tema indígena até que veio bem a calhar na Beija-Flor. Isso somado ao fato da diminuição do tempo do desfile, que implicou numa diminuição da própria escola, ajudou bastante nas contas da Azul e Branco neste Carnaval.

“A diminuição do tempo do desfile acabou ocasionando no corte de uma alegoria e algumas alas, o que logicamente diminui os custos do Carnaval. E já tem uns três anos que nós buscamos novas soluções, novos materiais, para baratear nosso desfile. Vamos mostrar o belo, como sempre, mas optando por produtos mais baratos, que sendo bem trabalhados causam o mesmo efeito visual daquele produto mais luxuoso. A estética indígena nos ajudou muito a variar a utilização dos materiais, que são mais rústicos e mais baratos, como a palha, capim, semente, ponta de madeira e o bambu. Veremos uma Beija-Flor ingdígena do início ao fim, com marcação de pé e mão, arte plumária, pintura. Vamos msotrar mais uma vez que buscamos o título.” – contou Fran Sérgio

Sobre a parte de maior destaque do desfile da Beija-Flor de Nilópolis, o carnavalesco não teve dúvidas: sua comunidade!

“A Beija-Flor tem uma comunidade muito forte, presente, que ensaia muito. Esse ano estamos ensaiando mais ainda, porque a gente tem a marcação indígena, um tribal. Então o nosso maior destaque será a própria escola, com esse samba lindo, fazendo essse grande espetáculo indígena na avenida.” – disse o artista.

A Beija-Flor de Nilópolis será a última escola a desfilar no domingo de Carnaval com o enredo “A Virgem dos lábios de mel – Iracema”, desenvolvido pela Comissão de Carnaval da escola que é formada por Laíla, Fran Sérgio, Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends e Cláudio Russo.

 

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