IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE

imperatriz

  • Fundação: 06 de Março de 1959
  • Cores: Verde, Branco e Ouro
  • Símbolo: Coroa
  • Quadra: Rua Prof. Lacê, 235 – Ramos – Rio de Janeiro – RJ
  • Telefone: (21) 2560-8037
  • Internet: www.imperatrizleopoldinense.com.br
  • Presidente: Luizinho Drummond
  • Diretor de Carnaval: Wagner Araujo
  • Carnavalesco: Cahê Rodrigues
  • Diretor de Harmonia: Junior Escafura
  • Intérprete: Arthur Franco
  • Diretor de Bateria: Mestre Lolo
  • Rainha de Bateria: Cris Vianna
  • Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Thiaguinho Mendonça e Rafaela Theodoro
  • Coreógrafo da Comissão de Frente: Claudia Motta
  • Horário do Desfile 2017: 3ª escola a desfilar no domingo de carnaval, dia 26 de fevereiro de 2017
  • Enredo 2017: “A Mística Xinguana – o clamor que vem da floresta.”

 

SINOPSE 2017

IMPERATRIZ

“A Mística Xinguana –
O clamor que vem da floresta”

“O índio estacionou no tempo e no espaço. O mesmo arco que faz hoje, seus antepassados faziam há mil anos. Se pararam nesse sentido, evoluíram quanto ao comportamento do homem dentro da sociedade. O índio em sua comunidade tem um lugar estável e tranquilo. É totalmente livre, sem precisar dar satisfações de seus atos a quem quer que seja. Toda a estabilidade social, toda a coesão, está assentada num mundo mítico. Que diferença enorme entre as duas humanidades! Uma tranquila, onde o homem é dono de todos os seus atos. Outra, uma sociedade em convulsão, onde é preciso um aparato, um sistema repressivo para poder manter a ordem e a paz.” 

(Orlando Villas-Bôas, sertanista)

INTRODUÇÃO

– Hoje, não vamos falar apenas de lendas, nem alimentar mistérios que dependem de nossa imaginação. Você cresceu, guerreiro menino, não é mais um curumim. Teve coragem para enfrentar as tucandeiras, traz no rosto as marcas do gavião e já consegue enxergar além das curvas do caminho. Hoje, vamos falar da verdade. É preciso entender o passado para saber o que nos aguarda no futuro.

Quando seus pés tocarem o chão, pise com a certeza de que ninguém ama tanto esta terra como a nossa gente. Somos o povo da floresta. Os espíritos de nossos ancestrais dormem nos troncos das árvores. A candura de nossas mães flutua no ar, e se espalha no perfume das flores. O amanhã resiste em cada semente carregada pela força do destino, conduzida pelos pássaros que enfeitam nossos cocares, orientam nossas flechas e repovoam essa gigantesca floresta. Nós somos a floresta e deixaremos que o vento leve este canto aos homens de boa vontade. Eles precisam nos ouvir.

Sim, guerreiro menino, porque quando não existir mais floresta, nossa gente será apenas lembrança e o que eles chamam de país, já não terá nenhuma esperança…

CELEBRAÇÃO TRIBAL

– Nossos irmãos vêm de canoa, dos lugares mais distantes da floresta. Fazem uma roda no centro da aldeia. Corpos pintados, iluminados pela lua cheia. É noite de festa.  Vamos dançar ao redor da fogueira. Mavutsinim, o Criador, nos chamou para celebrar a paz e o amor. Tambores, flautas e maracás tocarão a noite inteira. E quando o dia clarear, nossa alma despertará: formosa, cabocla, guerreira… Verdadeiramente brasileira!

Devemos encarar a vida com simplicidade. A terra aquecida pelo Sol é a mesma que a Lua protege com o véu da noite, guardando as surpresas para o novo dia. Sonhos existem, mas o destino somos nós que traçamos: colhemos o que plantamos. A morte faz parte da vida. Ela é o resultado de nossas experiências. É a colheita de nossa existência. Ao guardar os espíritos de nossos antepassados em troncos sagrados, criamos uma ponte para a eternidade, No Kuarup, o que era mito, vira realidade. Celebramos essa derradeira viagem com muita alegria, festejando a certeza de que raros são os que partem com tamanha serenidade – servindo de exemplo para os seus e a comunidade. Cantamos e dançamos, orgulhosos do nosso jeito de fazer parte da Humanidade.

O PARAÍSO ERA AQUI

– Amamos esta terra muito antes de ela se chamar Brasil. Desde o tempo em que não havia fronteiras. Era céu e chão, até onde os olhos pudessem alcançar, percorrendo serras, florestas, rios, cachoeiras… Sobre o ventre da Natureza, Tupã estendia o seu manto. Como por um encanto, do lago surgia um pássaro sagrado, protegendo a nação Kamayurá, fazendo a vida brotar… intensa, pujante, vibrante, com uma infinidade de cores. Nuvens de borboletas enfeitavam as flores. Pirarucus, tambaquis e tucunarés povoavam os igarapés. Aranhas tecelãs bordavam suas teias, pirilampos faiscavam na aldeia. Do alto dos buritis, ecoava uma sinfonia. Cigarra cantava, acompanhando um coral de aves. O som grave dos bugios e o esturro da suçuarana alertavam para um risco permanente à nossa frente. Quem vem lá? Kayapó ou Kalapalo? Tatu ou tamanduá? Assim era a nossa floresta, casa de nossa gente. Não foi por acaso que, quando o caraíba aqui chegou, imaginou estar no Paraíso – um Jardim Sagrado, de onde o próprio Deus dele o expulsou.

O “ABRAÇO” DA SUCURI

– Se perderam o seu Paraíso, os caraíbas partiram para conquistar o nosso, pequeno  guerreiro – talvez, por vingança de Anhangá, o feiticeiro. Impulsionadas pelos ventos da cobiça, as naus aportaram em nossas praias, trazendo ensinamentos que os invasores nunca ousaram praticar. Nada mais seria como antes. Em vez de nos tratar como semelhantes, nos chamaram de selvagens e tentaram nos escravizar. Vinham do Velho Mundo e representavam a civilização. Chegaram arrogantes, se apoderando de nossas terras e riquezas. Levaram ouro, prata e diamantes, e uma madeira que tingia com sangue, lembranças de tantas belezas. Em troca, traziam espelhos, doenças e destruição. Sua missão era usar a cruz de um Deus que morava no céu, fincando marcos aqui e ali; usando palavras sagradas, deixaram nossa gente esmagada, como no abraço lento e mortal da sucuri.

BELOS MONSTROS

– Caraíba não mede consequências. Acredita na sua ciência, buscando o que chama de progresso. Derruba floresta, espalha veneno e acha o mundo pequeno para semear tanta arrogância. Invade nossas terras, liga a motosserra e no lugar dos troncos sagrados, planta ganância. Caraíba precisa de mais energia para alimentar os seus interesses. Cria verdadeiros monstros. Belos monstros… usinas que devoram rios, matam peixes, secam nascentes, inundam tabas e arrastam na lama o futuro de nossa gente. Não podemos deixar, guerreiro menino, que afoguem o nosso destino. Nossa casa é aqui! E não devemos nos curvar. Precisamos honrar cada dente do colar, cada palavra do irmãoRaoni!

CACIQUES BRANCOS

– Também é justo lembrar de caraíbas que foram amigos. Eles se embrenharam pelo sertão para fazer do Brasil uma grande nação, criando picadas, abrindo estradas e campos de pouso para a aviação. Foram os primeiros a escrever nessas terras a palavra integração. Eles ficaram encantados com o nosso jeito de ser. Não conseguiam entender que para respeitar e ser respeitado, nenhum de nós precisa vigiar ou ser vigiado. Responsabilidade sempre foi um princípio honrado com a família e a comunidade. Fizemos um kuarup para saudar esses caciques brancos em nossos rituais. Eu ainda era rapaz, pequeno guerreiro, quando os vi no Roncador. Acompanhei suas expedições. Vinham em batelões, trazendo respeito e amor. Ficarão para sempre em nossos corações, protegidos por Tupã. Louvados sejam os irmãos Villas Boas, que nos ajudaram a encontrar a passagem para o Amanhã!

O CLAMOR DA FLORESTA

– As nações xinguanas se reúnem para celebrar o orgulho de ser índio e pedem licença para falar: Enquanto o caraíba não recuperar o seu equilíbrio, a Natureza agonizará. E sem ela, sem a proteção da Mãe de todos nós, estaremos ameaçados – seja na terra dos civilizados, ou nos confins dos povos isolados. Já é tempo de o caraíba cultivar a humildade e aprender com o índio o que chama de sustentabilidade. Precisa esquecer os lucros, o progresso, o consumo e o desenvolvimento; zelar pelos sentimentos e os compromissos com a Humanidade, retirando da Natureza apenas o que basta para o seu sustento.

Jovem guerreiro, voe nas asas do vento e espalhe estas palavras de Norte a Sul. Os povos não-índios precisam entender que é chegado o momento de ouvir o clamor do Xingu!

Pesquisa, desenvolvimento e texto:
Cahê Rodrigues, Marta Queiroz e Cláudio Vieira
Junho de 2016

GLOSSÁRIO

  • Anhangá – Segundo o índio, espírito que vagava após a morte, atormentando os viventes.
  • Batelões – Embarcações de fundo chato, usadas para navegar em rios rasos.
  • Bugio – Espécie de macaco também conhecido como guariba ou barbado.
  • Buriti – Palmeira que dá um fruto do mesmo nome, rico em vitamina C  e largo uso na cosmética.
  • Caraíba – Segundo o índio, o branco.
  • Kalapalo – Uma das 16 etnias do Parque Indígena do Xingu.
  • Kamayurá – Uma das 16 etnias do Parque Indígena do Xingu
  • Kayapós – Uma das etnias do Brasil Central.
  • Kuarup – Ritual xinguano em homenagem aos mortos.
  • Mavutsinim – Segundo a etnia Kamayurá, o primeiro homem, o Criador.
  • Pirarucus, tambaquis, tucunarés – Peixes dos rios da Amazônia e do Brasil Central.
  • Raoni – Líder indígena da etnia Kayapó.
  • Roncador – Serra do Roncador, o ponto mais central do Brasil, situado entre os rios das Mortes e Araguaia, entre os rios Kuluene e o Xingu, no Mato Grosso.
  • Suçuarana – Onça parda.
  • Tucandeira – Formiga cuja picada é capaz de matar um homem. No ritual de iniciação, quando da passagem do menino índio para a adolescência, os jovens guerreiros provam a sua coragem colocando a mão em luvas de palha com várias dessas formigas, suportando as ferroadas durante 15 minutos.
  • Tupã – O deus supremo dos indígenas.

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BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

  • O Xingu dos Villas Bôas – Agência Estado/ Metalivros
  • Parque Indígena do Xingu 50 Anos – Almanaque Socioambiental
  • A Marcha Para o Oeste – A epopeia da Expedição Roncador-Xingu / Orlando e Cláudio Villas Bôas
  • Xingu, Viagem Sem Volta – Julio Capobianco/ Editora Terceiro Nome
  • Narrativas sobre povos indígenas na Amazônia – José Vicente de Souza Aguiar / Fapeam
  • Diários Índios – Os Urubu-Kaapor – Darcy Ribeiro/ Companhia das Letras
  • Tesouro Descoberto no Máximo Rio Amazonas – Padre João Daniel/ Contraponto
  • Xingu, 55 Anos – O que o Brasil tem a aprender, por Renata Valério de Mesquita – Revista Planeta, Edição 519 – Abril 2015
  • Patrimônio Cultural do Xingu, por Ulisses Capozzoli – Scientific American – no 44 – Edição Especial

SAMBA-ENREDO 2017

COMPOSITORES: MOISÉS SANTIAGO, ADRIANO GANSO, JORGE DO FINGE, ALDIR SENNA

BRILHOU… A COROA NA LUZ DO LUAR!
NOS TRONCOS A ETERNIDADE… A REZA E A MAGIA DO PAJÉ!
NA ALDEIA COM FLAUTAS E MARACÁS
KUARUP É FESTA, LOUVOR EM RITUAIS
NA FLORESTA.. HARMONIA, A VIDA A BROTAR
SINFONIA DE CORES E CANTOS NOA AR
O PARAÍOS FEZ AQUI O SEU LUGAR
JARDIM SAGRADO, O CARAÍBA DESCOBRIU
SANGRA O CORAÇÃO DO MEU BRASIL
O BELO MONSTRO ROUBA AS TERRAS DOS SEUS FILHOS
DEVORA AS MATAS E SECA OS RIOS
TANTA RIQUEZA QUE A COBIÇA DESTRUIU!

SOU O FILHO ESQUECIDO DO MUNDO
MINHA COR É VERMELHA DE DOR
O MEU CANTO É BRAVO E FORTE
MAS É HINO DE PAZ E AMOR!

SOU GUERREIRO IMORTAL DERRADEIRO
DESTE CHÃO O SENHOR VERDADEIRO
SEMENTE EU SOU A PRIMEIRA
DA PURA ALMA BRASILEIRA!

JAMAIS SE CURVAR, LUTAR E APRENDER
ESCUTA MENINO, RAONI ENSINOU
LIBERDADE É O NOSSO DESTINO
MEMÓRIA SAGRADA… RAZÃO DE VIVER
“ANDAR ONDE NINGUÉM ANDOU”
“CHEGAR ONDE NINGUÉM CHEGOU”
LEMBRAR A CORAGEM E O MARO DOS IRMÃOS
E OUTROS HERÓIS GUARDIÕES
AVENTURAS DE FÉ E PAIXÃO
O SONHO DE INTEGRAR UMA NAÇÃO

KARARAÔ… KARARAÔ… O ÍNDIO LUTA POR SUA TERRA
DA IMPERATRIZ VEM O SEU GRITO DE GUERRA!

SALVE O VERDE DO XINGU A ESPERANÇA
A SEMENTE DO AMANHÃ… HERANÇA
O CLAMOR DA NATUREZA A NOSSA VOZ VAI ECOAR… PRESERVAR

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